Fogo brando Lab

Venda do Livro

Pimenta, Pirnóbi e Pequi + Caderninho bordado

À venda no site http://www.semprevivaeditorial.com.br

Esta é a nossa primeira série de livros poético-culinários, bordados ou impressos, publicada pela editora Fogo Brando em parceria com a Sempre-viva Editorial. Ela é composta por um livro e um caderninho, ambos encadernados pelas próprias mulheres da comunidade do Capivari, Serro, Minas Gerais. O livro das prosas relata as memórias culinárias das cozinheiras. Seu objetivo é a salvaguarda escrita de práticas culinárias femininas de transmissão oral da cozinha do cerrado. O caderninho vem com a capa em tecido bordada por elas num exemplar único e com as páginas em branco, convidando você a escrever seu próprio livro culinário com relatos de sua família, de amigos, de viagem…

Este é um projeto associativo realizado pelas antropólogas Clarissa Secondi e Clarissa Aguiar com métodos de pesquisa-ação da antropologia engajada. Elas acompanharam cozinheiras, registraram etnografias do cozinhar e recolheram prosas e receitas à beira do fogão. O objetivo da ação foi de elaborarmos juntas um livro e um caderno artesanal, costurado e encadernado pelas próprias cozinheiras e bordadeiras do Capivari, para valorizar seus saberes locais. Em parceria com a Sempre-viva Editorial, de Milho Verde, realizaram oficinas de encadernação artesanal, ministradas por Esther Peña para favorecer autonomia na confecção dos exemplares e contribuir com a melhoria e o bem-estar da comunidade, tornando possível a publicação do livro. À medida que o projeto é apoiado pela venda dos livros, as mulheres se aperfeiçoam na produção e se profissionalizam com esmero em cada encadernação. Os bordados são únicos e livres e proporcionam à elas o exercício criativo-artístico.

O livrinho Pimenta, Pirnóbi* e Pequi é fruto deste trabalho inclusivo! Almejamos que ele seja transmitido de geração em geração dentro da comunidade e incentivamos todos vocês a transcrever a diversidade das suas próprias memórias culinárias no caderno bordado! Os rendimentos da venda dos livros ajudam a financiar as ações da Associação Comunitária Pró-Melhoramentos do Capivari e da Editora Fogo brando. * Pirnóbi, oralidade regional do ingrediente ora-pro-nóbis.

Qual é o alcance do projeto Pimenta, Pirnóbi e Pequi ? 

Criar um livro que : é cocriado em coautoria com o grupo de cozinheiras bordadeiras do Capivari – permite a autonomia do grupo na fabricação artesanal – gera fonte de renda para a comunidade de maneira direta  – é vendido localmente e pela internet – testemunha das transformações dos patrimônios culturais imateriais – é fonte de pesquisa para historia oral e para as ciências sociais – dá voz às mulheres quilombolas – aborda os desafios atuais socioeconômicos das comunidades – registra praticas culinárias que se perdem do quotidiano de cozinheiras – mantem vivos saberes e saber fazeres dos artesanatos locais – registra o patrimônio cultural de um território ameaçado pela mineração – testemunha dos desafios de uma comunidade que vive dentro de um parque nacional – registra as particularidades do Alto Jequitinhonha  – estimula a transmissão escrita e e oral entre gerações – pode ser usado como base de alfabetização pelas pedagogias de autonomia – da liberdade do exercício criativo artística pelas mulheres da comunidade – permite a apropriação do objeto, tanto na fabricação do livro como nos bordados pela comunidade – é fruto de tradições populares locais – mantem os modos de falar locais e da oralidade do quotidiano – desafiou as mulheres a produzir além dos seus afazeres quotidianos – reatou o grupo de bordadeiras da comunidade e desfez antigas desavenças – permitiu uma vertente curativa para as bordadeiras dentro dos seus exercícios criativos  – estimulou a riqueza da cocriaçao artística no grupo denominado “As Marias do Capivari” – é fruto de uma pesquisa-ação da antropologia engajada sobre a Fábrica de valor cultural de mulheres de minorias étnicas – a partir dessa pesquisa, propôs ações conjuntas com a comunidade que se mostram eficazes e perduram no tempo  – sua beleza única ultrapassara fronteiras : é valorizada em festivais no Brasil e na França  – prova ser uma uma ação simples de implementação mas como grande qualidade de impacto  – tem potencial para se desdobrar em outras ações de fortalecimento da comunidade – gera complemento de renda, favorece a saúde mental, mantém vivo o patrimônio imaterial

Autoras dos relatos de cozinha mineira do cerrado Edneia do Carmo Ferreira / Flanciene Ferreira Ribeiro / Geiza da Conceição Cunha / Geralda Ferreira / Hérica Aparecida Ferreira / Maria das Mercês Marques Vieira / Maria de Jesus da Cunha Ferreira / Maria de Lurdes Ribeiro / Maria Gorete Ribeiro Nascimento / Noeme Ribeiro da Cunha

Método Fogo Brando : o método qualitativo da Fogo Brando nasceu! Ele envolve antropologia engajada, cocriação cultural e salvaguarda de patrimônio imaterial. E já está sendo multiplicado em outros projetos, mais informações no nosso instagram : FBL

Frango caipira com quiabo

Trechos do livro Pimenta, Pirnóbi e Pequi, Prosas de comadres à beira do fogão.

No frango, eu coloco sal com alho, só.  Não é que nem o tempero do arroz, que soca o alho e põe alfavaca. Põe o frango com alho na gordura.  Quando tiver bem apertadinho, como se tivesse fritado, coloca água.  Vai cozinhando de pouquinho…  Se quiser, vai quiabo. Pica e seca ele todo na panela. Porque a gente aqui diz é panela, não é frigideira…  Depois que secar a baba do quiabo, coloca no frango. 

Também pode fazer a saladinha: Depois que sair a baba, e estiver bem sequinho, Pega o quiabo e coloca vinagre. Depois deixa esfriar na geladeira. Come como uma saladinha.  Aqui a gente gosta… 

Geralda Ferreira

Fogo brando Lab

A Fogo Brando tem sede na França e no Brasil. Ela com pesquisa-ações direcionadas para cozinheiras de baixa-renda do Sul global. Ela tem como dupla missão : o acompanhamento progressivo de mulheres num processo de fortalecimento e valorização sócio-econômica dos seus saberes e práticas e a capacitaçao com métodos pedagógicos inovadores, dinâmicos e inclusivos.

Na França ( afeudouxlab.fr) e em Portugal, a Fogo brando atua com mulheres imigrantes do subcontinente Indiano (India, Nepal, Bangladesh e Paquistão). No Brasil, tem atuação com comunidades quilombolas do Alto Jequitinhonha em Minas Gerais.

Equipe

Clarissa Alves Secondi é antropóloga da alimentação, chefe de cozinha e fundadora da À feu doux na França. Trabalha como responsável pedagógica dos programas de formação de cozinha profissional para imigrantes do Ministério do Trabalho da França e foi pesquisadora para o Comité de história do Ministério do desenvolvimento sustentavel francês, para o Laborátorio de pesquisa Equipe Alimentação e o Instituto europeu de história e de culturas da alimentação, entre outros. Mestre em Antropologia pela universidade de Montpellier e em história da alimentação pela universidade de Tours, é também licenciada em Letras na Sorbonne e como chefe de cozinha pelo Senac Campos do Jordão. Trabalhou como chefe e cozinheira durante 15 anos em Paris no início da carreira.

Clarissa Torres de Aguiar é cientista social e antropóloga pela UFMG, responsável e implementadora das pesquisa-ações da Fogo brando no Brasil. Atua em projetos sociais na Casa Coletiva- Centro Comunitário da Serra da Bicha e na Associação Comunitária Pró-Melhoramentos do Capivari com oficinas formativas de construção tradicional, resgate, valorização e manutenção da cultura construtiva. Trabalha em projetos culturais em colaboração com as catadoras de sempre-viva e as cozinheiras-bodadeiras de Serro/MG.